Golpe de R$ 31 milhões com imóveis fantasma

Como o esquema funcionava, segundo a polícia

De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina, o grupo combinava três elementos:

  1. Preço abaixo do mercado com uma explicação convincente: os imóveis teriam sido adquiridos em leilões bancários.
  2. Falsos representantes de bancos, que davam credibilidade à negociação.
  3. Documentos falsificados, como procurações e escrituras públicas, para simular que a venda era legal.

A investigação é conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Blumenau. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em São Paulo, Itatiba e Campinas (SP) e em Ponta Grossa (PR). A Justiça determinou o bloqueio de valores e a indisponibilidade de bens dos investigados, para garantir o ressarcimento das vítimas.

A investigação continua, e os envolvidos ainda não foram julgados. Mas o modo de agir descrito pela polícia se repete em golpes imobiliários por todo o país, inclusive em Minas Gerais.

Sinais de alerta na compra de imóvel

  • Preço muito abaixo do mercado, com pressa para fechar ("tem outro interessado", "a oferta acaba hoje").
  • Pedido de sinal ou pagamento antes de qualquer análise de documentos.
  • Depósito em conta de pessoa física ou de empresa que não é a dona do imóvel nem o banco vendedor.
  • Venda por procuração, sem contato com o proprietário.
  • Suposto funcionário de banco que negocia por WhatsApp ou fora dos canais oficiais.
  • Documentos enviados só por foto ou PDF, sem possibilidade de conferência no cartório.
  • Resistência a que um advogado analise o negócio. Quem vende de forma regular não tem motivo para evitar a verificação.

Como a due diligence revela esse tipo de fraude

A due diligence imobiliária é a análise jurídica do imóvel, do vendedor e dos documentos antes de qualquer pagamento. Em um golpe como o investigado em Santa Catarina, a fraude tende a aparecer em verificações simples, feitas direto nas fontes oficiais.

1. A matrícula do imóvel conta a história verdadeira

A certidão de matrícula, pedida diretamente ao Cartório de Registro de Imóveis, mostra quem é o dono. Se o imóvel realmente foi retomado pelo banco e levado a leilão, isso precisa estar registrado. Se a matrícula não confirma a história contada pelo vendedor, o negócio para ali.

2. Procurações e escrituras são conferidas no cartório que as emitiu

Uma procuração ou escritura com aparência perfeita pode ser falsa. A conferência é feita no cartório de notas indicado no documento: se existe aquele ato, em que livro e folha, quem assinou e se continua válido.

3. A venda bancária é confirmada nos canais oficiais

Bancos vendem imóveis retomados pelos próprios sites ou por leiloeiros oficiais, com edital público. A advogada confirma se o imóvel consta nesses canais e se o pagamento será feito ao banco, e não a terceiros.

4. O pagamento é estruturado para proteger o comprador

Mesmo em um negócio legítimo, o contrato deve prever pagamento ao verdadeiro titular, de forma rastreável e vinculada à escritura e ao registro. Nada de depósitos antecipados a intermediários.

Nenhuma dessas etapas é complicada para quem sabe onde olhar. O problema é que o golpe foi pensado justamente para que o comprador não olhe.

Perguntas frequentes

Comprar imóvel de leilão bancário é seguro? Pode ser um bom negócio, desde que a compra seja feita pelos canais oficiais do banco ou do leiloeiro e com análise do edital e da matrícula. O risco está em ofertas "de leilão" negociadas fora desses canais.

Uma escritura pública não garante que o negócio é verdadeiro? Uma escritura verdadeira tem fé pública. O problema é que o documento apresentado pode ter sido falsificado. Por isso, ele precisa ser conferido no cartório que supostamente o emitiu.

Já paguei e desconfio que caí em um golpe. O que fazer? Registre boletim de ocorrência o quanto antes, guarde todas as conversas, comprovantes e documentos e procure uma advogada. Agir rápido aumenta a chance de bloquear valores e recuperar parte do prejuízo.

A análise jurídica atrasa a compra? Costuma levar de alguns dias a poucas semanas. Quando o vendedor pressiona para pular essa etapa, isso já é um sinal de alerta.

Encontrou um imóvel com ótimo preço? Confirme antes de pagar

Se você está negociando um imóvel, inclusive de leilão, a verificação dos documentos deve acontecer antes do primeiro pagamento.

Ana Luiza Barreto
Escrito por Ana Luiza Barreto

OAB/MG 213.444

Advogada, pós-graduada em Direito Imobiliário e em Direito Urbanístico e Ambiental pela PUC Minas. Conheça a advogada

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